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Educação para Direitos estimula protagonismo juvenil no Morro Doce

Discussões feitas em sala de aula incentivam mobilização e diversas ações na região

 

Após pouco mais de um semestre de aulas no bairro do Morro Doce, em São Paulo, já é possível verificar resultados do Educação para Direitos: educar para transformar, projeto inserido no eixo de sensibilização do Instituto de Defesa do Direito de Defesa (IDDD). Os alunos, adolescentes do 8º e do 9º anos de escolas da região, organizaram, desde agosto, uma série de ações com foco na garantia dos direitos fundamentais.

 

Em agosto, houve a 7ª Mostra Cultural de Serviços Socioassistenciais da região, que tem como objetivo divulgar o trabalho da rede socioassistencial e promover a integração dos programas na comunidade. “Nesta edição foi possível perceber um tema comum e uma preocupação em pensar as questões do bairro, como melhorias na urbanização, acesso às políticas públicas e a importância do trabalho articulado entre os serviços. Tudo isso foi provocado pelos adolescentes que frequentam as atividades do Educação para Direitos”, conta Arianna Praes, coordenadora pedagógica do IDDD. De acordo com ela, esta foi a primeira vez em sete anos que o evento apresentou um tema único.

 

Desta mostra, surgiram demandas locais e sugestões criativas de intervenções, como o Fuzuê dos Palmares e o Encontro com Carlos Roberto Massi, Subprefeito de Perus-Anhanguera. O primeiro consistiu em um evento de arte e cultura popular realizado pela EMEF Marili Dias, parceira do projeto, no dia 30 de agosto. A atividade buscou responder à demanda por arte apresentada pela comunidade e foi organizada com a participação dos adolescentes, que puderam expressar suas inquietações e sonhos para o bairro.

 

O encontro com o Subprefeito, realizado em 24 de setembro, discutiu as demandas de urbanização da região. A ideia de organizar o encontro surgiu em uma das aulas, durante a discussão sobre o papel e a presença do Estado, na qual os estudantes perceberam que também são responsáveis por acompanhar a atuação de seus representantes e, inclusive, propor ações com resultados objetivos. Partindo dessa perspectiva, o grupo se organizou para compreender o plano diretor da região e sugerir as intervenções prioritárias. Para definirem as prioridades, os jovens realizaram uma pesquisa com a comunidade e essas demandas foram apresentadas ao Subprefeito da região.

 

Para Daniella Meggiolaro Paes de Azevedo, diretora responsável pelo projeto, os resultados têm sido ótimos. “O Educação para Direitos existe há mais de 3 anos e a edição 2014 está bastante especial. A parceria com o CEU Parque Anhanguera nos possibilitou a realização de dois encontros semanais com alunos de três instituições de ensino de uma região reconhecidamente carente e, consequentemente, suscetível a inúmeras violações de garantias. Os adolescentes participantes do curso vêm, dia após dia, se mobilizando por mudanças não só nas escolas em que estudam, mas especialmente na comunidade em que vivem. E é com muito orgulho que podemos dizer que o IDDD contribuiu bastante para isso. Conhecer seus direitos – e lutar por eles – desde cedo é um passo importante para efetivação de uma sociedade melhor e mais justa”, afirma.

 

Visita ao Memorial da Resistência

Além das ações na comunidade, em setembro, os alunos fizeram uma visita ao Memorial da Resistência de São Paulo, localizado no antigo Departamento de Ordem Política e Social (DOPS), na Estação Pinacoteca. A excursão, que durou uma tarde inteira, contou com cerca de 50 adolescentes e três professores das escolas atendidas pelo projeto. Arianna Praes, coordenadora pedagógica do IDDD, e Priscila Pâmela dos Santos, advogada associada ao Instituto, acompanharam a atividade.

 

A proposta da visita era entender o que foi o período da ditadura e compreender a importância do direito de defesa na vida das pessoas. Os adolescentes conheceram os espaços e as histórias de personagens que viveram as aflições daquele período e conseguiram estabelecer uma relação clara e direta entre a liberdade, a justiça e o acesso à informação.

 

De acordo com Mariana Cavalheiro Alves de Queiroz, associada coordenadora do Educação para Direitos, “os passeios são uma ferramenta essencial no processo de aprendizagem dos alunos. Através desses eventos conseguimos aproximar os temas debatidos em sala de aula da realidade dos alunos. As ideias, conceitos abstratos, ganham formas e novas sensações”. Prova disso é a relação feita por Eliana, 14 anos, entre o fim da ditadura e a realidade vivida no Morro Doce, bairro em que o projeto é realizado. Segundo ela, “lá no nosso bairro parece que a ditadura não acabou. A polícia entra onde quer e faz o que quer e ninguém pode falar nada”.

 

Para a advogada Priscila Pâmela, advogada voluntária do projeto, o passeio pode ser definido pela palavra “resistir”. “Foi muito emocionante constatar que a visita encheu o coração dos alunos de vontade de lutar e de resistir sempre às arbitrariedades praticadas, seja por parte do Estado ou do poder privado. Acredito que alcançamos nosso objetivo”, afirma.

 

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