Do lançamento do livro para a prisão
Por Edson Veiga
Evento em casa noturna do centro reuniu ontem detentas que participaram de oficinas de arte.
"Eu não quero mais ter de passar por isso." Na boca de uma escritora que acaba de publicar um livro, tal frase soa estranha. Mas Verônica Espíndola Vaz, de 39 anos, não é uma poetisa qualquer. Detenta há seis anos, é uma das autoras da obra O Direito do Olhar, lançada na manhã de ontem.
Pomposo, o evento aconteceu no Lions Nightclub - no centro da capital, com pose de exclusivo, em um cenário que abusa de animais empalhados e outras excentricidades. Entre os engravatados que lá compareceram, uma constelação de advogados criminalistas, como o ex-ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos.
O Direito do Olhar é fruto de um projeto de oficinas de arte oferecido às mulheres do sistema penitenciário - cuja população é de 24 mil pessoas. Sete das autoras estiveram no evento. "Sempre gostei de escrever. Quando tinha 18 anos, cheguei a fazer um romance de cem páginas", diz Verônica. "Mas minha mãe jogou fora."
Neste caso, a glória de ver seus versos impressos não teve uma comemoração após o oba-oba do lançamento. Verônica passou a noite em sua cela no Butantã, zona oeste. Sim, a frase do início faz sentido.
O Estado de S. Paulo
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